Metadados são informações associadas a um arquivo, documento, fotografia, vídeo ou outro objeto digital. Eles podem fornecer contexto técnico importante sobre origem, datas, dispositivo, software e processamento, mas precisam ser interpretados em conjunto com a estrutura do arquivo e demais evidências.
O que são metadados?
De forma simples, são “dados sobre os dados”. Uma fotografia pode armazenar informações sobre data e hora, câmera, orientação e, quando registrada, localização. Um documento pode conter autor, aplicativo de criação, datas, revisões ou propriedades internas. Outros formatos possuem estruturas próprias.
É importante distinguir metadados internos do arquivo de informações externas registradas pelo sistema operacional, serviço de nuvem, aplicativo ou plataforma.
O que os metadados de uma foto podem revelar?
Arquivos de imagem compatíveis com Exif podem conter campos relacionados a:
- data e hora da captura;
- fabricante e modelo do equipamento;
- orientação da imagem;
- parâmetros fotográficos;
- software relacionado ao processamento;
- coordenadas geográficas, quando o dispositivo registrou GPS.
A CIPA mantém o padrão Exif e publicou a versão 3.1 em 2026. Nem todo dispositivo preenche todos os campos e nem toda plataforma preserva essas informações.
E em documentos digitais?
Dependendo do formato, documentos podem registrar propriedades como autor, empresa, datas de criação e modificação, aplicativo gerador, versão, número de revisões e elementos internos. PDFs, arquivos do Microsoft Office, imagens e formatos de mídia possuem estruturas diferentes.
Esses campos podem ajudar a formular hipóteses e construir uma linha do tempo, mas o significado de cada dado depende de como o programa que gerou o arquivo o utiliza.
Metadados conseguem provar que um arquivo foi editado?
Alguns campos podem indicar que determinado software processou o arquivo ou que houve alteração posterior à criação. Entretanto, isso não significa automaticamente adulteração fraudulenta.
Uma fotografia pode ser redimensionada, rotacionada, exportada ou compartilhada legitimamente. Um documento pode ser aberto e salvo novamente. A perícia precisa distinguir processamento normal de elementos incompatíveis com a história apresentada.
A localização registrada é sempre confiável?
Não. Quando existem coordenadas, elas devem ser avaliadas no contexto do dispositivo e do processo de criação do arquivo. Metadados podem ser removidos, modificados ou não ter sido gravados originalmente.
Por isso, localização Exif não deve ser tratada isoladamente como prova absoluta de que determinada pessoa estava em um ponto específico. Correlação com outras fontes aumenta a robustez da análise.
E se o arquivo não tiver metadados?
A ausência de metadados não significa, por si só, fraude. Aplicativos de mensagem, redes sociais, editores e serviços de nuvem podem remover ou recriar campos durante processamento, compressão e compartilhamento.
Nesse cenário, a análise pode avançar para estrutura interna, codificação, características do formato, miniaturas, hashes, versões relacionadas e outras fontes externas.
Por que o arquivo original é importante?
Quanto mais próximo o arquivo estiver de sua origem, maior tende a ser a quantidade de informações disponíveis. Capturas de tela, reenvios por aplicativos, conversões e impressões em PDF podem eliminar dados relevantes.
Por isso, quando existe suspeita sobre foto ou documento, a recomendação técnica costuma ser preservar o arquivo original e evitar procedimentos que o sobrescrevam.